Português – Figuras de Linguagem

By setembro 13, 2015 Português 33 Comments

Português

As figuras de linguagem revelam o lado mais poético e criativo do uso da linguagem nas orações e frases. Nesta seção mencionam-se as mais comuns e mais pedidas em vestibulares e concursos públicos.

Observação: Entender a sutileza semântica (o significado) dos exemplos é o mais importante e conhecer um exemplo de cada figura ajuda bastante a memória na hora de testes, provas, concursos etc.

1) FIGURAS SONORAS ou de HARMONIA

ALITERAÇÃO – Repetição de consoantes, geralmente no início dos termos da frase:
“Toda gente homenageia Januária na janela” (Chico Buarque)

ASSONÂNCIA – Repetição de vogais ao longo de versos:
“Sou um mulato nato no sentido lato”

PARONOMÁSIA – Palavras sonoramente semelhantes, com significados diferentes:
“A viola vela a violência do violeiro”

ONOMATOPÉIA – O termo imita som de de ruídos ou vozes de animais ou coisas:
“Ó rodas, ó engrenagens, rrrrrrrrrrrrrreterno” (Fernando Pessoa)

2) FIGURAS DE SINTAXE ou CONSTRUÇÃO

ELIPSE – Omissão de termo:
“Na sala, apenas quatro convidados” (omissão de ‘havia’)

ZEUGMA – Omissão de termo que já apareceu:
“Ele prefere cinema, eu, teatro” (omissão de ‘prefiro’)

ASSÍNDETO – Omissão de conectivos:
“Joana passeava, cantava, brincava, alegrava-se, tudo com graça”

POLISSÍNDETO – Repetição de conectivos (conjunções):
“E canto, e brinco, e falo, e …”

INVERSÃO ou ANÁSTROFE – Mudança da ordem natural dos termos na frase:
“Tão leve estou que já nem sombra tenho” (‘Estou tão leve que…)

HIPÉRBATO – Inversão mais acentuada:
“Passeiam, à tarde, as belas na Avenida” (‘As belas passeiam na Avenida, à tarde’)

SÍNQUISE – Inversão exagerada:
“A grita se alevanta ao céu, da gente” (‘A grita da gente se alevanta ao céu’)

HIPÁLAGE – Inversão da posição do adjetivo, atribuindo-o a outro substantivo:
“…em cada olho um grito castanho de ódio” (’em cada olho castanho…’)

SILEPSE – A concordância dá-se em função das idéias e não das palavras:

a) de gênero: “V. Exª parece magoado” (V. Exª = ele ou você)

b) de número: “Corria gente de todos os lados, e gritavam” (gente = eles)
“Os Sertões” conta a Guerra de Canudos” (“Os Sertões” = o livro)

c) de pessoa: “Ambos recusamos praticar este ato” (e não ‘recusaram’ pois o autor inclue-se na ação)
“Todos nesta sala somos gaúchos (e não ‘são’ pois o autor inclue-se)

ANACOLUTO – Termos desprendidos no início de frase:
“Essas empregadas de hoje em dia, é preciso saber escolhê-lhas muito bem”
“Meu pai, pensar que nunca mais o verei nesta vida”

PLEONASMO – Redundância ou obviedade de significado:
“Esse coqueiro que dá coco” (trecho da canção, ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso)
“Suba aqui em cima, cara!”
“Vamos descer lá em baixo, galera!”

ANÁFORA – Repetição intencional de termos no início de um período, frase ou verso:
“Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só”

3) FIGURAS DE PENSAMENTO

ANTÍTESE – Aproximação de termos ou expressões antônimas:
“Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas””

IRONIA – Intenção depreciativa ou sarcástica:
“Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor” (Mário de Andrade)

EUFEMISMO – Atenuação de uma verdade chocante ou desagradável:
“O rapaz saltou da ponte da vida” (morreu)
“Meu tio completou a passagem” (morreu)
“Carlos pendurou as chuteiras” (aposentou-se)
“O seu filho não foi feliz no exame” (foi reprovado)

HIPÉRBOLE – Exagero da idéia, com finalidade expressiva:
“Rios te correrão dos olhos, se chorares” (Olavo Bilac)
“Estou morto de fome!”

PROSOPOPÉIA – Personificação de seres inanimados ou imaginários:
“Um frio inteligente percorria o jardim” (Clarice Lispector)

GRADAÇÃO – Sequência de palavras que intensificam uma mesma idéia:
“Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela, rota, baça, nojenta, vil, sucumbiu…” (Raimundo Correa)

APÓSTROFE – Invocação. Corresponde ao vocativo, na análise sintática:
“Deus! Ó Deus! onde estás, que não respondes?” (Castro Alves)

PARADOXO – Junção de idéias que se contradizem:
“O mito é o nada que é tudo” (Fernando Pessoa)

4) FIGURAS DE PALAVRAS

METÁFORA – Um termo substitui outro de modo poético ou conotativo:
“Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão” (Machado de Assis)

CATACRESE – Espécie de metáfora tornada convencional ou já estereotipada pelo uso:
“folhas do livro” “mão de direção” “braço da poltrona”
“pele do tomate” “asa da xícara” “perna da cadeira”
“dente de alho” “cabeça do prego” “embarcar” (quando trata-se de avião)

METONÍMIA – Substituição de um termo por outro. A substituição ocorre de modo aproximado à denotação, portanto como uma relação mais objetiva:
“Antes de sair, tomamos um cálice de licor” (cálice = conteúdo do cálice)
“E assim o operário ia, com suor e com cimento, erguendo uma casa aqui…” (suor e cimento = trabalho)
“Comprei um legítimo Porto” (porto = vinho da cidade do Porto)
“Ela admirava Jorge Amado” (Jorge Amado = a obra de Jorge Amado)
“Podemos contar com o seu bom coração” (coração = sentimento, sensibilidade)
“Os revolucionários desejavam destruir a coroa” (coroa = poder monárquico)
“Lentamente, o bronze expande o seu som penetrante” (bronze = sino)
“Edson ilumina o mundo” (Edson = energia elétrica, luz elétrica)
“Jonas é um bom garfo” (bom garfo = comilão)

SINÉDOQUE (variedade de metonímia) – Substituição de um termo por outro, porém com aumento ou redução semântica do termo:
“A cidade inteira viu o assaltante fugir nas rodas de sua moto” (cidade inteira = o povo todo, rodas = parte da motocicleta)
“O paulista é esforçado, o carioca, atrevido” (paulista = todos os paulistas, carioca = todos os cariocas)

ANTONOMÁSIA (PERÍFRASE) – Substitui alguém por alguma certa qualidade notável e intrínseca. Na linguagem coloquial é o mesmo que ‘apelido’ ou a alcunha de alguém. Geralmente é introduzido como um aposto na frase:
“O Corso dominou a Europa toda” (corso = Napoleão Bonaparte)
“Pelé, o Rei do Futebol, comentará a Copa de 2010″ (rei do futebol = Pelé)
Observação: Pelé = Edson Arantes do Nascimento!
“O Poeta dos Escravos é a alma da literatura indianista brasileira” (o poeta dos escravos = Castro Alves)

SINESTESIA – Substituição ou fusão de um sentido por outro (os órgãos dos sentidos e seus efeitos):
“Seus olhos são doces e gentis” (doce é sensação do paladar)
“A sua voz macia parece acalentar o coração” (a maciez pertence ao tato)
“É um negócio que não está cheirando bem” (o cheiro pertence ao olfato e neste caso trata-se de um mau negócio)

ALEGORIA – Trecho que transmuta os termos de modo metafórico. O referencial e o metafórico estão sintetizados para a criação de efeito poético e alegórico:
“A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados e a orquestra é excelente…” (Machado de Assis)

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